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Bia Azevedo

Bia Azevedo

Jornalista pela Universidade de São Paulo (USP), já trabalhou como coordenadora e editora de conteúdo das redes sociais do Seu Dinheiro e Money Times. Além disso, é pós-graduada em Comunicação digital e Business intelligence pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM).

VOO DISTANTE

Gol (GOLL54) quer voar para longe da bolsa de valores: entenda a proposta que pode fechar o capital da aérea

Plano da Gol abre caminho para o fechamento de capital e saída da B3, em meio à baixa liquidez das ações e às exigências da bolsa por reenquadramento

Bia Azevedo
Bia Azevedo
14 de outubro de 2025
10:03 - atualizado às 17:02
Foto de aeronave da GOL (GOLL4) adesivada com o logo atual da empresa
Imagem: Divulgação GOL

A Gol (GOLL54) parece estar querendo alçar vôos longe… da bolsa de valores. Segundo o boletim de voto à distância divulgado pela empresa na noite da última segunda-feira (13), a aérea vai propor aos acionistas uma reorganização societária que pode culminar no fechamento do capital da empresa e saída da empresa da B3.

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O plano, que será votado em assembleia geral extraordinária (AGE) no dia 4 de novembro de 2025, prevê que duas empresas do grupo — a própria Gol Linhas Aéreas Inteligentes, que é listada na bolsa, e a holding Gol Investment Brasil — sejam incorporadas pela Gol Linhas Aéreas, empresa operacional responsável pelos voos.

Voando para longe da B3?

Na prática, isso significa que as ações da Gol deixariam de ser negociadas na B3 e a aérea se tornaria uma companhia fechada controlada pelo grupo Abra. As duas outras empresas e todos os seus ativos, dívidas e operações passarão a ser concentrados dentro da Gol Linhas Aéreas.

De acordo com o documento, com essa mudança, os atuais acionistas da Gol Linhas Aéreas Inteligentes vão receber novas ações da empresa fechada. Cada ação ordinária será trocada por uma ação ordinária da nova estrutura, enquanto cada ação preferencial  — as GOLL4, que hoje estão na bolsa — será convertida em 35 ações da nova companhia fechada.

A empresa fará uma oferta pública de aquisição (OPA) para comprar as ações que ainda estiverem nas mãos dos minoritários. O preço que será oferecido ainda será definido por uma consultoria independente, mas, segundo informações da imprensa, a empresa tem o direito de não realizar a oferta caso o custo total de comprar a fatia dos minoritários ultrapasse os R$ 47,2 milhões.

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Segundo a Gol, a operação faz parte da reorganização iniciada após a recuperação judicial da empresa e busca simplificar a estrutura societária, reduzir custos, unificar a gestão financeira e resolver problemas regulatórios com a B3. 

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O ultimato da B3 para a Gol

Hoje, menos de 1% das ações da companhia estão em circulação no mercado, abaixo do mínimo exigido pelas regras do Nível 2 de governança, no qual a companhia está atualmente listada. 

No fim de setembro, a Gol recebeu um prazo da B3 para se adequar às regras que proíbem as chamadas penny stocks — ações negociadas abaixo de R$ 1. A operadora da bolsa determinou que a companhia tem até 29 de janeiro de 2026 para adotar medidas que garantam o reenquadramento dos papéis.

Desde junho, as ações da Gol vivem uma situação atípica na B3. Na ocasião, passaram a ser negociadas em lotes de mil unidades, com o novo ticker GOLL54, em substituição ao tradicional GOLL4. Na prática, isso significa que, embora o preço exibido na tela pareça girar em torno de R$ 5, cada ação individual vale menos de um centavo.

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Além da regra de penny stocks, a Gol negocia abaixo do free float (capital em circulação) mínimo. Nesse caso, a B3 concedeu o prazo até 18 de janeiro de 2027 para o reenquadramento.

Veja também - Setor aéreo em alerta: o que levou a Gol e Azul à recuperação judicial?

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