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Mesmo com recordes, bolsa brasileira ainda está barata, diz head da Itaú Corretora — saiba onde está o ouro na B3

O Ibovespa segue fazendo história e renovando máximas, mas, ainda assim, a bolsa se mantém abaixo da média histórica na relação entre o preço das ações das empresas e o lucro esperado, segundo Márcio Kimura

Baú de tesouro com moedas
Imagem: amirulsyaidi/iStock

Os investidores locais estão vendo o Ibovespa decolar nas últimas semanas. O principal índice da B3 acumula 15 sessões seguidas de alta e, nesta terça-feira (11), ultrapassou os 158 mil pontos. Quem assiste aos seguidos recordes do Ibovespa pode chegar à conclusão de que o momento de investir na bolsa brasileira ficou para trás e que é hora de colher os frutos dessa alocação.

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Porém, para Márcio Kimura, o superintendente íon Itaú e head da Itaú Corretora, a B3 ainda esconde o ouro. “A bolsa, na verdade, continua barata mesmo com o Ibovespa atingindo as máximas históricas”, afirmou o especialista durante o evento Ponto de Virada do banco Itaú, realizado nesta terça-feira (11).

Segundo Kimura, embora o Ibovespa tenha atingido novos recordes, a relação preço/lucro — ou seja, o preço das ações das empresas em relação ao lucro esperado — tocou as mínimas históricas recentemente e, com a alta observada agora, “evoluiu um pouco”.

“O crescimento muito forte da dívida pública fez com que o prêmio de risco aumentasse em relação à nossa bolsa”, afirmou.

Na média histórica, a relação preço/lucro na bolsa é de 10,4x e, atualmente, encontra-se em 8,9x, conforme indicado pelo gráfico fornecido pelo especialista. 

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Ainda assim, o Itaú mantém recomendação neutra para a bolsa brasileira. “Com essa disparada, a bolsa já passou por uma correção, o que reduz o espaço para novas altas. Então, não estamos zerados na bolsa, mas não estamos super otimistas”, disse Kimura.

Onde investir na bolsa?

Quando se fala da bolsa brasileira, o investidor costuma pensar quase que imediatamente no Ibovespa. Porém, Kimura ressalta que nem sempre o índice reflete o sucesso de setores específicos, já que é composto majoritariamente por empresas de commodities, como Vale (VALE3) e Petrobras (PETR4).

Por isso, o especialista destaca alguns setores que ainda são atrativos na sua visão. Confira:

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  • Energia elétrica

Segundo Kimura, é um setor defensivo, pois as empresas são grandes geradoras de caixa e pagam muitos dividendos, funcionando quase como bonds (títulos de renda fixa). 

Além disso, com o surgimento de data centers e da inteligência artificial (IA), a necessidade por energia se tornou ainda maior, o que tende a beneficiar as empresas do segmento.

Porém, Kimura avalia que as companhias de geração e distribuição podem passar por mudanças regulatórias. Assim, a visão do banco sobre as ações do segmento são no curto prazo.

  • Financeiro

O head da Itaú Corretora destaca o setor por ser resiliente, com os bancos apresentando resultados fortes mesmo em cenários difíceis, com aumento dos juros e da inadimplência.

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Com a perspectiva de que o Banco Central inicie um ciclo de cortes da Selic a partir de 2026, Kimura observa que as instituições financeiras devem ser beneficiadas.

LEIA MAIS: Ibovespa atinge marca histórica ao superar 158 mil pontos após ata do Copom

  • Construção Civil

Com a criação da Faixa 4 do programa Minha Casa Minha Vida, as construções de imóveis para a baixa renda seguem sendo estimuladas, o que deve continuar impulsionando as ações das empresas do setor, segundo o especialista.

Além disso, com a queda dos juros no radar, Kimura avalia que a população de renda média também deve sentir maior facilidade no financiamento de imóveis. Assim, a demanda da construção civil tende a ficar ainda mais forte e, por consequência, dar fôlego aos papéis das companhias.

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  • Fundos Imobiliários

Um outro setor que tende a ser beneficiado pela queda dos juros é o segmento dos fundos imobiliários (FIIs), em especial, os fundos de tijolo — ou seja, que investem em imóveis físicos.

Entre os segmentos, Kimura destaca os FIIs de galpões logísticos, que devem se beneficiar com o reaquecimento da economia, e as lajes corporativas, que tendem a se recuperar à medida que o mercado precifica a queda de juros.

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