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Laís Campos

Laís Campos

Laís Campos é jornalista formada pela Faculdade Cásper Líbero, com especializações em comunicação de moda e beleza pela University of the Arts London e pela Condé Nast College of Fashion & Design. Já colaborou para veículos como Forbes Brasil, Vogue Brasil e Versatille, e trabalhou com análise de tendências na WGSN.

ALTA COM DESCONFORTO

Mesmo com Ibovespa em níveis recordes, gestores ficam mais cautelosos, mostra BTG Pactual

Pesquisa com gestores aponta queda no otimismo, desconforto com valuations e realização de lucros após sequência histórica de altas do mercado brasileiro

Laís Campos
Laís Campos
18 de novembro de 2025
15:22 - atualizado às 14:46
ibovespa ouro bitcoin
Imagem: Canva Pro

Apesar de a escalada recente do mercado ter animado parte dos gestores, o investidor brasileiro dá sinais de freio após a disparada do Ibovespa nas últimas semanas. Uma nova pesquisa realizada pelo BTG Pactual junto a agentes do mercado no Brasil mostra que, mesmo sem aversão ao risco, cresce o número de profissionais que enxergam o momento com neutralidade e consideram o valuation mais apertado. 

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Segundo o estudo, há um esfriamento claro no humor do mercado: apenas 48% dos entrevistados se dizem otimistas, bem abaixo dos 66% da última sondagem.

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Ao mesmo tempo em que seguem posicionados para o ciclo de cortes de juros aqui e nos Estados Unidos, muitos começam a realizar lucros e a reduzir exposição. Este movimento revela um desconforto silencioso com os preços atuais e a busca por mais cautela na reta final do ano.

Alta dos mercados 

O Ibovespa, principal indicador da bolsa brasileira, superou a marca dos 158 mil pontos, após uma sequência de 15 pregões consecutivos de valorização, encerrada com novo recorde de fechamento na última terça-feira (11).

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O movimento tem despertado a atenção dos agentes de mercado, já que algo semelhante não era visto desde o período entre maio e junho de 1994 — época do lançamento do Plano Real — quando o índice acumulou 15 altas seguidas, entre os dias 17 de maio e 7 de junho.

Leia Também

A queda dos juros nos EUA, a expectativa de cortes na Selic, a desaceleração da inflação no Brasil e a melhora do ambiente comercial são apontados como o que está por trás deste recente recorde histórico do Ibovespa.

Sinais de cautela 

Após a recente alta dos mercados nas últimas duas semanas, o BTG Pactual observa sinais de cautela. 

“De forma alguma os investidores estão pessimistas ou buscando reduzir significativamente o risco, mas mais gestores relatam que o sentimento agora é neutro (37% dos entrevistados) e que os níveis de valuation [do IBOV] estão cada vez mais justos (42%)”, descreve a instituição. Tal porcentagem indica um sinal de enfraquecimento na percepção da avaliação, visto que anteriormente 35% dos entrevistados avaliavam o Ibovespa de forma justa.

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O banco também observa um número crescente de investidores buscando realizar lucros recentes e reduzir posições. “Para nós, o sinal é claro: os investidores estão menos confortáveis com o valuation após a alta e buscando reduzir o risco até o final do ano”.

A pesquisa aponta ainda que a maioria dos clientes do banco (77%) está relatando fluxos obtidos em seus fundos. De acordo com o BTG Pactual, este resultado “ainda reflete o status de baixa adesão da classe de ativos de ações".

Reação aos ciclos das taxas de juros e sentimento sobre as eleições

A pesquisa do BTG Pactual revela que os investidores continuam se expondo aos ciclos de redução das taxas de juros nos EUA e no Brasil, com as preocupações fiscais praticamente esquecidas por enquanto. 

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Já em relação aos possíveis resultados das eleições do ano que vem, o estudo mostra que a maioria dos investidores vê uma chance de 50% de o presidente Lula vencer. Tal porcentagem, como indica o banco, sugere que os investidores veem a corrida presidencial do próximo ano como um evento ainda incerto. O governador de São Paulo, Tarcisio de Freitas, é apontado por 87% dos entrevistados como o nome mais provável para representar a oposição.

Posicionamento e negociações consensuais

A pesquisa aponta que o mercado continua concentrado em serviços básicos e financeiros (37% contra 36% anteriormente). Os setores financeiro e imobiliário compartilharam o segundo e o terceiro lugares. Já na tese short (aposta na queda dos preços dos ativos), os investidores continuam apresentando uma alocação baixa em commodities e varejo. 

As principais posições compradas consensuais continuam sendo Equatorial (EQTL3), Axia (AXIA3) e BTG Pactual (BPAC11). Entre as apostas na queda, destacam-se Ambev (ABEV3), Vale (VALE3) e Petrobras (PETR3; PETR4). 

Por fim, pela primeira vez, o levantamento perguntou quais ações se beneficiariam mais com uma possível mudança para um governo de centro-direita. As principais escolhas foram as empresas estatais (Banco do Brasil, Petrobras) e XP.

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