Menu
Dados da Bolsa por TradingView
2021-11-24T16:54:12-03:00
Ricardo Gozzi
SEM SOLUÇÃO FÁCIL

O que o Brasil pode fazer para controlar os preços dos combustíveis sem contrariar o mercado

Venda de refinarias da Petrobras e fundo de estabilização são alternativas para segurar os preços, mas com resultados apenas no médio e longo prazos, diz Pedro Rodrigues, diretor do CBIE

24 de novembro de 2021
12:13 - atualizado às 16:54
Combustível Petrobras
Combustível mercados - Imagem: Shutterstock

A alta dos preços dos combustíveis levou os Estados Unidos, a China e outras potências globais a se engajarem em uma ação coordenada destinada a atenuar o impacto do fenômeno sobre suas economias.

EUA, China, Coreia do Sul, Índia, Japão e Reino Unido concordaram em fazer uso de suas reservas estratégicas de petróleo com o objetivo de colocar um freio à alta dos preços da gasolina e de outros derivados.

O fato de a iniciativa colocar do mesmo lado os dois grandes rivais geopolíticos da atualidade é um bom termômetro da gravidade da situação.

Afinal, a alta dos preços dos combustíveis pressiona a inflação em um momento no qual a economia global ainda se esforça para deixar para trás a crise desatada pela pandemia.

Sem solução no curto prazo

O Brasil passa pelo mesmo problema com os preços dos combustíveis. Além de a cotação do barril do Brent acumular alta de mais de 50% em 2021, a permanência da taxa de câmbio em níveis elevados agrava a situação.

Ontem mesmo o presidente Jair Bolsonaro voltou a criticar a política de preços da Petrobras, o que costuma causar calafrios no mercado.

Mas há pouco a se fazer no curto prazo para reverter esse cenário sem que alguém pague essa conta: os acionistas da estatal (incluindo a União) ou o contribuinte.

“As regras de compliance da Petrobras dificultam. Ninguém duvida que o general Silva e Luna queira assinar uma redução de preços, mas ele não pode chegar lá e resolver isso com uma canetada”, diz Pedro Rodrigues, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE).

Constituir estoques estratégicos também não seria uma solução viável, diz Rodrigues. “É muito custoso manter essa estrutura física”, explica. Além disso, ainda que seja importador de derivados, o Brasil é exportador de petróleo.

Rodrigues chama ainda a atenção para as diferenças entre o Brasil e a iniciativa dos EUA e outros grandes compradores de petróleo. “O [Joe] Biden tenta interferir no preço global do petróleo. O Brasil não tem influência no mercado global”, afirma.

O que dá pra fazer

As soluções existentes para estabelecer algum controle sobre os preços dos combustíveis, levando-se em consideração a atual conjuntura do setor de óleo e gás no Brasil e sem ferir as regras de mercado, são todas de médio e longo prazos, avalia o diretor do CBIE.

Rodrigues acredita que a solução precisaria vir do mercado, uma vez que a Petrobras já não detém desde 1997 o monopólio legal sobre exploração e refino.

“No médio prazo, a Petrobras está vendendo refinarias e o aumento da concorrência pode ajudar”, afirma.

Políticas públicas

No longo prazo, além de uma discussão tributária mais ampla, Rodrigues propõe a implementação de políticas públicas para a energia e o transporte.

Entre as medidas possíveis, Rodrigues vê com bons olhos a formação de um fundo de estabilização de preços.

E quanto à solução de desvincular os preços dos combustíveis que saem das refinarias da Petrobras das cotações internacionais do petróleo, como costuma defender o presidente Jair Bolsonaro?

Para o diretor do CBIE, intervenção ou tabelamento de preços não são modelos aceitáveis, uma vez que a Petrobras é hoje uma empresa de economia mista, exposta a regras de mercado. Tais possibilidades também não se enquadram na conjuntura do setor de óleo e gás vigente no Brasil. “A não ser que se resolva reestatizar a Petrobras.”

Comentários
Leia também
CUIDADO COM OS ATRAVESSADORES

Onde está o seu iate?

Está na hora de tirar os intermediários do processo de investimento para deixar o dinheiro com os investidores

INSIGHTS ASSIMÉTRICOS

Os investidores agora viraram virologistas: os impactos da Ômicron sobre os mercados

Ainda não sabemos o bastante para decidir se esta é uma oportunidade de compra, mas parecemos estar mais preparados como sociedade para enfrentar o problema

VAREJO DECEPCIONADO?

Black Friday supera prévias, mas vendas do fim de semana ainda ainda perdem para os números registrados em 2019

Segundo índice calculado pela Cielo, as vendas cresceram 6,9% em relação ao ano passado, mas foram 3,8% inferiores ao período pré-pandemia

Adeus ano velho

Ano novo, impostos novos! Reforma do IR fica para 2022, confirma presidente do Senado

O governo Bolsonaro pressionava pela aprovação da proposta para financiar o Auxílio Brasil, mas não conseguiu apoio na Casa

SEU DINHEIRO NA SUA NOITE

Bitcoin e bolsa se recuperam após susto com nova variante, Azul e Latam sobem o tom e outros destaques do dia

Pouco se sabe ainda sobre a nova variante do coronavírus detectada na África do Sul, mas o que veio à público até agora é muito melhor do que o mercado financeiro precificou na última sexta-feira (26). Sem o pânico visto na semana passada, o Ibovespa encontrou forças para abrir a semana em alta.  Um estudo […]

Fechamento do dia

Mercado supera susto com ômicron, e bolsas globais engatam recuperação; Ibovespa sobe com menos força, de olho na PEC dos precatórios

Pesando os desafios fiscais brasileiros, o Ibovespa fechou longe das máximas, mas se recuperou parcialmente do tombo de sexta-feira

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies