Esse conteúdo é exclusivo para o
Seu Dinheiro Premium.
Seja Premium
O que você vai receber
Conteúdos exclusivos
Indicações de investimento
Convites para eventos
2020-04-13T07:58:53-03:00
Victor Aguiar
Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais pelo Instituto Educacional BM&FBovespa. Trabalhou nas principais redações de economia do país, como Bloomberg, Agência Estado/Broadcast e Valor Econômico. Em 2020, foi eleito pela Jornalistas & Cia como um dos 10 profissionais de imprensa mais admirados no segmento de economia, negócios e finanças.
SD Premium

Os segredos da bolsa: saiba como desarmar as bombas antes que elas explodam seus investimentos

Tanto no Brasil quanto no exterior, há uma série de fatores com potencial bombástico para os investimentos em bolsa. Veja aqui como se proteger

13 de abril de 2020
5:30 - atualizado às 7:58
Imagem: Shutterstock

Os investidores do mercado de ações têm um campo minado adiante. Seja no cenário político doméstico, na agenda econômica global ou no front do coronavírus: há diversos fatores explosivos e com potencial para afetar fortemente as bolsas — e é melhor saber como desarmar cada uma dessas bombas e não sair por aí pisando em falso.

Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Clique aqui e receba a nossa newsletter diariamente

A primeira banana de dinamite está instalada no Congresso. Deve ser votado na Câmara nesta segunda-feira (13) o projeto de ajuda a Estados e municípios — um texto que, se aprovado, causará enorme estrago nos cofres públicos.

De acordo com as contas do governo, a 'bomba fiscal' que será votada pelos deputados pode custar até R$ 222 bilhões, dependendo das medidas que serão incorporadas à pauta — o projeto está sendo usado pela Câmara para incorporar propostas de ajuda financeira aos Estados e municípios, em meio à crise do coronavírus.

A grande questão é que o texto não inclui contrapartidas e medidas de ajuste fiscal por parte dos governantes — daí o caráter bombástico da pauta. E é claro que um rombo fiscal tende a reduzir a confiança dos investidores e a tirar força da economia, o que, em última instância, se traduz em pressão de baixa ao mercado de ações.

Mas esse explosivo pode não ser detonado. O governo vai encaminhar uma proposta de acordo para transferir até R$ 40 bilhões em recursos diretos para os Estados e municípios — e esse 'contraprojeto' irá direto às mãos das lideranças dos partidos, de modo a esvaziar a votação da pauta bomba.

Em troca, o governador e prefeito que receber o dinheiro federal terá de suspender por dois anos os reajustes salariais dos seus servidores públicos. Trata-se de um explosão no orçamento, é verdade, mas uma explosão controlada.

O resumo da ópera é: fique atento ao noticiário político nesta segunda-feira, especialmente às movimentações de bastidores das lideranças na Câmara e no Senado. Sinais de que a proposta do governo será aceita tendem a ser comemorados pelos investidores; caso contrário, a tendência é de mais um dia de fortes emoções na bolsa.

Barril de pólvora

E falando em potencial explosivo: a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) finalmente bateu o martelo e decidiu cortar a produção da commodity em 9,7 milhões de barris ao dia, por dois meses, a partir de 1º de maio.

O desfecho da reunião aumenta o ânimo dos investidores quanto a um desfecho amigável para a guerra de preços entre Arábia Saudita e Rússia, iniciada em março. E, de fato, a reação dos mercados foi positiva: tanto o Brent quanto o WTI abriram em alta neste domingo (12).

Só que a commodity não disparou, como alguns supunham. Ocorre que, por mais que o pavio do barril de pólvora do petróleo tenha sido apagado, muitos países fizeram estoques do produto, prevendo meses duros pela frente. Assim, por mais que o corte seja positivo, ele não deve implicar em saltos fortes nas cotações do curto prazo.

De qualquer maneira, fique atento às ações da Petrobras: por mais que a recuperação do petróleo seja tímida, ela ajuda a dar força aos papéis da estatal, que sofreram um baque importante com o colapso da commodity ao longo do mês passado.

Na outra ponta, não descuide dos ativos das companhias aéreas, como Gol e Azul. O preço do combustível das aeronaves depende da cotação do petróleo — assim, a alta na commodity implica em gastos extra para essas empresas, que já estão numa situação delicada por causa da baixa na demanda de passageiros em meio à crise do coronavírus.

Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Clique aqui e receba a nossa newsletter diariamente

Bomba-relógio

Dito tudo isso, não pense que o tic-tac do surto de coronavírus deixou de influenciar os mercados. Pelo contrário: as informações mais recentes mantém os investidores estressados e podem azedar as negociações nos próximos dias.

Segundo levantamento feito pela universidade americana Johns Hopkins, quase 1,9 milhão de pessoas já foram contaminadas no mundo todo, com 114 mil mortes — os Estados Unidos, com mais de 21 mil óbitos, agora são o país com o maior número de casos fatais. No Brasil, já são mais de 22 mil infectados e 1,2 mil mortos.

Por mais que a situação em Nova York esteja começando a se estabilizar, o avanço da doença pelos Estados Unidos inspira cautela aos investidores — e, de fato, os futuros dos índices acionários americanos operavam em baixa na noite de domingo, mostrando o desconforto dos agentes financeiros.

Minas subterrâneas

Além de tudo, os investidores em bolsa ainda precisarão lidar com a agenda de dados econômicos. Nos próximos dias, há uma série de números referentes a março, especialmente no exterior — informações plantadas no passado, em meio ao surto de coronavírus, mas que vão explodir apenas agora.

Resta saber se a explosão será catastrófica ou apenas um leve estrondo. Veja abaixo os principais dados a serem conhecidos na semana:

  • Terça-feira (14)
    • China: balança comercial em março
  • Quarta-feira (15)
    • EUA: vendas no varejo e produção industrial em março
  • Quinta-feira (16)
    • Zona do euro: produção industrial em fevereiro
    • EUA: construções de moradias iniciadas em março
    • China: produção industrial e vendas no varejo em março
  • Sexta-feira (17)
    • EUA: inflação em março

O destaque, novamente, fica com a agenda nos Estados Unidos: dada a importância da economia americana no contexto global e a situação particularmente preocupante do surto por lá, é importante ter uma dimensão exata do estrago que o coronavírus causou à atividade no país.

No Brasil, há apenas um dado relevante a ser revelado nesta semana: o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) referente a fevereiro, com divulgação prevista para terça-feira (14).

Trata-se de uma informação defasada e que ainda não captura os efeitos da crise da Covid-19 na economia brasileira. De qualquer maneira, é um dado que servirá para mostrar o estado da atividade doméstica antes do surto — e que tem capacidade de melhorar ou piorar o humor dos investidores.

Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Clique aqui e receba a nossa newsletter diariamente
Comentários
Leia também
CUIDADO COM OS ATRAVESSADORES

Onde está o seu iate?

Está na hora de tirar os intermediários do processo de investimento para deixar o dinheiro com os investidores

NOVATA NA FINAL

Não estranhe: patrocinadora da final entre Palmeiras e Flamengo é a nova corretora de criptomoedas do Brasil; conheça Crypto.bom

A exchange resolveu investir no segmento de esportes e patrocina Fórmula 1, NBA e até o campeonato europeu

Raio-X

Análise: Por que a alta da inflação pode ameaçar o pacote de infraestrutura de Joe Biden?

O presidente americano tem ambiciosos planos pela frente, mas a alta da inflação e gargalos estruturais da economia podem alterar o rumo

A SEMANA EM GRÁFICOS

Covid-19 pressiona aéreas, turismo, Ibovespa e bitcoin, mas inflação avança no mundo: entenda a última semana com estes gráficos

As companhias aéreas sofreram perdas significativas na bolsa esta semana e nem o bitcoin (BTC) conseguiu se salvar

O MELHOR DA SEMANA

Piora da covid no mundo e criptomoedas além do bitcoin (BTC): 5 assuntos mais lidos no Seu Dinheiro esta semana

O mercado já trabalhava amplamente com a visão do verdadeiro normal. Mas os mercados globais voltaram a entrar em pânico com a covid-19

PAPO CRIPTO #007

Tecnologia que criou o bitcoin (BTC) pode reduzir custo de captação de recursos em quase 70%, diz chefe de ativos digitais do BTG

“Empresas pequenas e médias têm menor possibilidade de acesso ao mercado de capitais, muito por causa dos custos envolvidos”, comenta