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Julia Wiltgen
O melhor do Seu Dinheiro
Julia Wiltgen
2020-08-31T20:46:55-03:00
seu dinheiro na sua noite

A tempestade perfeita do IRB

31 de agosto de 2020
20:46
Selo O Melhor do Seu Dinheiro; investimentos
Imagem: Montagem Andrei Morais / Shutterstock

A pandemia de covid-19 pegou de jeito boa parte das empresas, mas dentre as companhias com ações negociadas da B3, as que mais estão sofrendo são aquelas que já vinham passando por algum outro tipo de dificuldade.

De todas as “sofredoras de 2020”, a que amarga o pior desempenho na bolsa é o IRB, cuja ação tem a maior queda do Ibovespa no ano até agora: um recuo de nada menos que 81,48%. Apenas em agosto, a ação caiu 9,48%.

Parte da queda ocorreu hoje, em reação ao resultado negativo - e pior que o esperado - do segundo trimestre, divulgado pela empresa no último sábado. O IRB registrou prejuízo de R$ 685,1 milhões, contra um lucro de R$ 397,5 milhões no mesmo período de 2019.

A companhia registrou uma forte alta da sinistralidade, atribuída aos efeitos da pandemia nos negócios, mas também à sua crise de reputação após descobertas de fraudes e até caso de “fake news”.

Tudo começou quando a gestora carioca Squadra declarou-se publicamente vendida nos papéis do IRB em fevereiro, apontando inconsistências no balanço da companhia. Embora a resseguradora tenha negado inicialmente as acusações, a análise da Squadra eventualmente revelou-se acertada.

De lá para cá, o IRB se viu envolvido em um vexame internacional com o nome do megainvestidor Warren Buffett, detectou fraudes e acabou precisando revisar números, fazer uma reestruturação interna e se adequar a exigências regulatórias, das quais estava desenquadrado.

Tudo isso em meio à maior crise econômica e sanitária da história. Não é brincadeira não. Em teleconferência com analistas e investidores nesta segunda, o CEO da companhia disse que não há mais ajustes a fazer no balanço, e que as investigações de fraudes foram concluídas. O Vinícius Pinheiro acompanhou a fala dele e conta tudo que foi dito nesta matéria.

MERCADOS

 O Ibovespa fechou o mês abaixo dos 100 mil pontos, acumulando queda de 3,44%. No último pregão de agosto, o índice caiu 2,72%, em reação à divulgação da Lei de Diretrizes Orçamentárias na tarde de hoje, que sugere um agravamento da situação fiscal.

 A lista de empresas que desejam abrir o capital em setembro e outubro já tem 40 nomes, sendo 18 deles incorporadoras. Mas, para especialistas, não há tanta euforia na bolsa assim: investidores não devem topar qualquer preço, e uma onda de ajustes se aproxima.

INVESTIMENTOS

 A CVM vai ajustar uma norma referente ao uso de informação privilegiada, o chamado insider trading. O dispositivo trata do dever do administrador de companhia aberta de guardar sigilo sobre informações não divulgadas e proíbe que ele as use em vantagem própria.

EMPRESAS

 Após a divulgação dos resultados da maior parte das empresas abertas, finalmente temos uma noção do impacto da pandemia nos negócios do país. Segundo estudo da Economatica, o lucro líquido das empresas não financeiras caiu 81,9% no segundo trimestre, na comparação anual.

 O Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) lançou, nesta segunda, uma publicação com recomendações de boas práticas para empresas estatais. Um dos principais pontos é que o comando dessas companhias não seja indicado pelo presidente da República, mas pelo conselho de administração. Conheça as propostas do IBGC.

ECONOMIA

 O governo anunciou hoje o Orçamento para 2021, prevendo um teto de gastos de R$ 1,485 trilhão e um déficit de R$ 233,6 bilhões do Governo Central. Nesta segunda, o Banco Central divulgou as contas de julho, com déficit primário do setor público de R$ 81,071 bilhões, dentro das estimativas do mercado.

 Os Estados Unidos confirmaram o corte na cota de importação isenta de tarifas de aço semiacabado do Brasil até o fim de 2020, de 350 mil toneladas métricas para 60 mil toneladas métricas.

 A nota de R$ 200, a do lobo-guará, já tem data de lançamento marcada. A estreia da cédula e sua entrada em circulação se darão na próxima quarta-feira (2).

COLUNISTAS

 Para os lendários gestores Rogério Xavier e Luis Stuhlberger, o Banco Central brasileiro tem adotado uma postura tomadora de risco, algo que estaria em desacordo com a cartilha. Mas a posição do BC está longe de ser um caso isolado no mundo e talvez não seja exatamente irracional - pelo contrário. Esse é o tema da coluna do Felipe Miranda de hoje.

Este artigo foi publicado primeiramente no "Seu Dinheiro na sua noite", a newsletter diária do Seu Dinheiro. Para receber esse conteúdo no seu e-mail, cadastre-se gratuitamente neste link.

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