2020-04-07T09:47:14-03:00
Vinícius Pinheiro
Vinícius Pinheiro
Diretor de redação do Seu Dinheiro. Formado em jornalismo, com MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela FIA, trabalhou nas principais publicações de economia do país, como Valor Econômico, Agência Estado e Gazeta Mercantil. É autor dos romances O Roteirista, Abandonado e Os Jogadores
Ganhando na contramão

Juros, dólar e investimento no exterior: os fundos multimercados que bateram o CDI em março

Um levantamento da consultoria Quantum feito a pedido do Seu Dinheiro mostra que 83 fundos conseguiram superar no mês passado o retorno de 0,34% do CDI, indicador de referência. Saiba como os gestores ganharam dinheiro no meio do furacão

7 de abril de 2020
5:53 - atualizado às 9:47
Imagem: Shutterstock

O banho de sangue nos mercados provocado pelo pânico com a disseminação do coronavírus cobrou seu preço na cota da maioria dos fundos de investimento no mês passado.

Como não podia ser diferente, os multimercados não escaparam do choque. O índice calculado pela Anbima (IHFA) que reúne o desempenho dos principais fundos da indústria apresentou uma queda de 6,24% em março.

Mas, pelo menos para alguns gestores, o coronavírus até agora não passou de uma “gripezinha”. Eles não só conseguiram se desviar da crise e proteger o capital como ganharam dinheiro.

Um levantamento da consultoria Quantum feito a pedido do Seu Dinheiro mostra que 83 fundos conseguiram superar no mês passado o retorno de 0,34% do CDI, indicador de referência.

A amostra considera 443 multimercados que reúnem pelo menos 500 cotistas e R$ 50 milhões em patrimônio líquido.

Como a ideia do levantamento é mostrar o trabalho do gestor, eu excluí da lista os fundos que operam com uma estratégia específica em qualquer cenário, como por exemplo investir em ouro.

É sempre bom lembrar que a decisão de investimento em um fundo não deve considerar retornos em janelas tão curtas de tempo. Mais do que a rentabilidade, a ideia aqui é mais apresentar as estratégias que deram certo enquanto o resto do mundo financeiro derretia.

Bancão brilha

Entre os dez fundos multimercados mais rentáveis no mês passado (sem contar os fundos espelho, que replicam a estratégia) aparecem quatro da Itaú Asset, gestora do maior banco privado brasileiro.

Com a estratégia de buscar oportunidades de curto prazo no mercado, o fundo Hedge Plus lidera a lista com um retorno de impressionantes 9,74% em março. No ano, o fundo do Itaú acumula alta de 12% e nos últimos 12 meses, de 27,5%.

Os ganhos no mês passado vieram tanto do mercado de juros como da bolsa brasileira. Nesse último caso, o fundo lucrou com uma posição vendida montada quando a economia começava a mostrar sinais de desaceleração em fevereiro.

“Fizemos posição vendida em bolsa brasileira via opções, em função do posicionamento técnico do mercado em conjunto com a indicação de piora de dados de atividade”, disse Rubens Henriques, CEO da Itaú Asset.

Quando a volatilidade de mercado aumentou no mês passado, os fundos da família Global Dinâmico – que inclui o Hedge Plus – reduziram o risco total do portfólio, segundo Henriques.

O quarto fundo mais rentável de março também é do Itaú. Como diz o nome, o Personnalité Seleção Multifundos Global Allocation investe a maior parte do patrimônio em outros fundos no exterior e rendeu 5,57% no mês passado, segundo os dados da Quantum.

Dólar pra cima e juros pra baixo

Outros três fundos que aplicam fora do país apresentaram retorno acima do CDI em março: o Santander Select Global Equities, o Vítreo Money Rider e o Bradesco Lyxor Bridgewater.

A simples exposição ao dólar garantiu um bom retorno aos fundos que aplicam lá fora. Afinal, a moeda norte-americana se valorizou 16% no mês passado.

Os gestores que decidiram deliberadamente apostar na alta do dólar também se destacaram entre os mais rentáveis. É o caso do Ibiúna Hedge STH, que obteve uma rentabilidade de 3,26% em março e acumula ganhos de 20,01% nos últimos 12 meses.

Além do ganho com o câmbio, a gestora comandada pelos ex-diretores do Banco Central Rodrigo Azevedo e Mário Torós mais uma vez fez valer a fama de boa operadora dos movimentos de política monetária.

“Ao longo de março, identificamos a oportunidade de passar a alocar risco ativamente no tema ‘relaxamento sincronizado de política monetária no mundo’, com posições aplicadas nas curvas de juros dos EUA, México, Chile, Brasil e Inglaterra”, escreveu a Ibiúna, no relatório de gestão de março.

No mercado brasileiro, a Ibiúna tem posições aplicadas na parte curta e intermediária da curva de juros DI. Em outras palavras, isso significa que os gestores esperam novas reduções da taxa básica de juros (Selic) além do que foi sinalizado pelo Banco Central.

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Virada na crise

A crise também marcou a virada de gestores que apresentaram rentabilidades abaixo do esperado nos últimos anos. É o caso da Gávea Investimentos, do ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga, e da Adam Capital, do gestor Márcio Appel.

O fundo Adam Macro Strategy rendeu 1,82% em março e acumula retorno de 5,11% no trimestre. Com o bom desempenho recente, o fundo conseguiu reverter um longo período abaixo do CDI, com uma rentabilidade de 6,73% em 12 meses, contra 5,39% do indicador de referência.

A posição comprada em dólar contra o real foi uma das apostas bem sucedidas da Adam. Mas Appel revelou na semana passada que não vê espaço para uma escalada ainda maior da moeda norte-americana e avalia inclusive comprar reais.

Long bias caem com a bolsa

Na lanterna da lista se concentraram os multimercados com a estratégia long bias, que possuem uma exposição comprada na bolsa, mas ao contrário dos fundos de ações tradicionais podem diminuir essa posição.

Essa possibilidade não foi suficiente para impedir a forte queda de vários fundos da categoria junto com a bolsa, como os da XP Investimentos (-43,7% em março), Alpha Key (-37,94%) e Safari Capital (-32,5%).

Nem mesmo a Ibiúna, que surfou tão bem a onda dos juros e do câmbio, escapou do destino dos long bias e teve perda de 32,2% com seu fundo em março.

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