2020-02-19T17:25:28-03:00
Julia Wiltgen
Julia Wiltgen
Jornalista formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) com pós-graduação em Finanças Corporativas e Investment Banking pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Trabalhou com produção de reportagem na TV Globo e foi editora de finanças pessoais de Exame.com, na Editora Abril.
Victor Aguiar
Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais pelo Instituto Educacional BM&FBovespa. Trabalhou nas principais redações de economia do país, como Bloomberg, Agência Estado/Broadcast e Valor Econômico. Em 2020, foi eleito pela Jornalistas & Cia como um dos 10 profissionais de imprensa mais admirados no segmento de economia, negócios e finanças.
Bolsa e dólar hoje

Dólar sobe a R$ 4,36 e renova a máxima de fechamento; Ibovespa avança, em linha com o exterior

O dólar à vista subiu pelo terceiro dia seguido e terminou a sessão no nível de R$ 4,36 pela primeira vez na história. O Ibovespa sobe mais de 1%, aproveitando a calmaria vista nas bolsas globais

19 de fevereiro de 2020
10:35 - atualizado às 17:25
Imagem: Montagem Andrei Morais / Shutterstock

O Ibovespa começou o pregão desta quarta-feira (19) em baixa, mas logo ganhou força e virou para o campo positivo. O clima mais ameno visto lá fora, somado à reação positiva aos balanços trimestrais, dá sustentação ao índice neste início de tarde.

Por volta de 17h10, o Ibovespa operava em alta de 1,21%, aos 116.369,42 pontos, após chegar a cair 0,18% mais cedo, aos 114.774,04 pontos. Com isso, a bolsa brasileira acompanha os mercados acionários externos: nos EUA, o Dow Jones (+0,49%), o S&P 500 (+0,58%) e o Nasdaq (+0,96%) sobem em bloco.

Já o dólar à vista continuou pressionado. A moeda americana passou o dia em alta, terminando a R$ 4,3656 (+0,19%) e cravando mais um recorde de fechamento em termos nominais — é a primeira vez que a divisa encerra uma sessão acima de R$ 4,36.

Lá fora, as preocupações relacionadas ao coronavírus diminuem um pouco nesta quarta-feira. Por mais que a Apple tenha sinalizado que não cumprirá suas projeções para o trimestre por causa do surto — o que aumentou a aversão ao risco na sessão anterior — a percepção atual é a de que a disseminação da doença tem ocorrido num ritmo mais lento.

Os dados mais recentes dão conta de mais de dois mil mortos e 75 mil pessoas contaminadas pelo vírus, números que ainda inspiram cautela entre os investidores. Contudo, apesar da tensão, o clima é menos pesado nos mercados globais — o que abre espaço para a recuperação das bolsas.

Na Europa, as principais praças operam em alta nesta quarta-feira, revertendo as baixas de ontem; na Ásia, quase todas as bolsas fecharam no azul — a exceção foi a China continental, que cedeu a um movimento de realização de lucro.

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Ruídos no dólar

Apesar do cenário de maior tranquilidade no exterior, o mercado doméstico de câmbio segue estressado. Internamente, as turbulências no front político trazem algum desconforto aos investidores, que optam por buscar proteção no dólar.

Rumores de que o ministro da Economia, Paulo Guedes, estaria insatisfeito com o governo e poderia deixar o cargo, em meio às constantes polêmicas da administração Bolsonaro, geram alguma apreensão no mercado de moedas, apesar de o presidente ter negado tal hipótese.

A valorização do dólar ante o real destoa do comportamento da moeda americana em relação às demais divisas de países emergentes nesta quarta-feira. No momento, o viés e de estabilidade na comparação com tais ativos — o que evidencia o fator doméstico de pressão no câmbio.

Nesse cenário, os investidores estão atentos para eventuais atuações do Banco Central (BC) no câmbio, de modo a trazer alívio à escalada do dólar. Na semana passada, a autoridade monetária convocou leilões extraordinários de swap quando a divisa bateu a marca de R$ 4,38.

Hoje, no entanto, não tivemos qualquer sinal de atuação do BC.

Juros em baixa

Apesar da pressão vista no dólar à vista, as curvas de juros fecharam em baixa nesta quarta-feira, tanto na ponta curta quanto na longa, em meio às apostas de novos cortes na Selic para estimular a economia doméstica.

Veja abaixo como ficaram os principais DIs:

  • Janeiro/2021: de 4,21% para 4,19%;
  • Janeiro/2022: de 4,71% para 4,64%;
  • Janeiro/2023: de 5,27% para 5,20%;
  • Janeiro/2025: de 6,00% para 5,96%;
  • Janeiro/2027: de 6,39% para 6,37%.

Balanços e mais balanços

Muitas empresas do Ibovespa reportaram seus números referentes ao quarto trimestre de 2019 desde o fechamento de ontem — e, hoje, alguns desses papéis exibem reações intensas aos balanços.

Em destaque, aparece IRB ON (IRBR3), com alta de 0,83%. A resseguradora fechou o ano com um lucro de R$ 1,764 bilhão, alta de 44,7% ante 2018, e abriu os números contestados pela gestora Squadra.

Weg ON (WEGE3), Ecorodovias ON (ECOR3) e Iguatemi ON (IGTA3), com ganhos de 7,74%, 1,80% e 1,81%, nesta ordem, também reagem positivamente aos balanços trimestrais — veja aqui um resumo dos números dessas empresas.

Top 5

Confira abaixo os cinco papéis de melhor desempenho do Ibovespa neste momento:

  • Weg ON (WEGE3): +7,74%
  • Via Varejo ON (VVAR3): +6,28%
  • B3 ON (B3SA3): +3,97%
  • CCR ON (CCRO3): +3,59%
  • Cyrela ON (CYRE3): +3,45%

Veja também as maiores baixas do índice:

  • BTG Pactual units (BPAC11): -2,75%
  • Cia Hering ON (HGTX3): -2,10%
  • BR Distribuidora ON (BRDT3): -1,78%
  • Cogna ON (COGN3): -1,75%
  • Carrefour Brasil ON (CRFB3): -1,54%
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