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2019-09-19T15:31:05-03:00
Estadão Conteúdo
O futuro da energia

Shell diz que seu plano é investir US$ 3 bilhões por ano em renováveis no mundo

Presidente da petroleira no Brasil afirmou que não há um prazo para definir os investimentos e que o importante é que os projetos “façam sentido”

19 de setembro de 2019
15:31
Shell
Imagem: Shutterstock

A Shell planeja investir US$ 3 bilhões todo ano, a partir de 2020, em energias renováveis. O orçamento é destinado ao conjunto de países onde atua, porém, o Brasil está entre as prioridades. Para isso, busca novos projetos.

"Particularmente nos últimos 12 meses, aqui no Brasil, a gente está estabelecendo nossa equipe de novas energias, há um grupo já estabelecido na área solar e a gente está buscando oportunidades de negócios", afirmou o presidente da petroleira no Brasil, André Araujo, após participar do evento Shell Eco-marathon, no centro do Rio.

Ele explica que não há um prazo para definir os investimentos e que o importante é que os projetos "façam sentido". "Em algum momento vai sair alguma coisa", disse o executivo. "Temos que mostrar para os acionistas que estamos fazendo as escolhas adequadas", acrescentou.

Questionado sobre o interesse nos leilões de áreas no Brasil, Araujo informou que mantém equipes dedicadas à avaliação das oportunidades nas três concorrências marcadas para 2019 - uma de pós-sal e duas de pré-sal, uma delas de áreas excedentes à cessão onerosa. A decisão de investir ou não nas áreas cabe aos executivos da petroleira, que se reúnem momentos antes dos leilões, disse ele.

O presidente da Shell destaca, porém, que a empresa continua interessada em projetos que garantam o crescimento da oferta de gás natural, que já responde pela maior parte da sua produção mundial.

Gás natural

O preço do gás natural não vai cair até que a oferta do produto seja significativamente ampliada, avalia Araujo. "Esse não é um setor mágico que consegue ter uma solução no ano que vem, mas estou bastante seguro de que tem muita oportunidade ainda", afirmou.

O crescimento da oferta, diz ele, acontecerá à medida que avançar também a infraestrutura de escoamento e transporte. "O mercado em algum momento vai precisar de uma solução de escoamento do mercado de gás. A terceira rota (de escoamento da produção no pré-sal até a costa no Rio de Janeiro) está sendo construída para disponibilizar mais volume de gás até a costa e isso vai ser um salto na disponibilidade de gás", diz ele.

Entre as alternativas de escoamento e utilização, a Shell avalia o uso como insumo na produção de energia elétrica, como fará em Macaé, onde constrói uma usina térmica, com início de produção programado para 2023. O plano, no entanto, é antecipar o prazo.

Além disso, a companhia considera o fornecimento de gás para grandes indústrias. "A gente tem falado muito com o setor de energia, mas a gente começa a perceber que a perspectiva de ter mais oportunidade de gás começa a atrair grandes setores industriais", complementou.

Araujo disse também que a Shell é bastante ativa globalmente na produção de gás natural, mas possui presença relevante também no mercado de comercialização de gás e energia. "A gente quer ter certeza de que a Shell no Brasil também atuará nesses segmentos", complementou.

Ataque

A alta do preço do petróleo no mercado internacional, em função dos ataques a refinarias na Arábia Saudita, não muda em nada a atuação e os planos da Shell no Brasil, afirmou Araujo. Segundo ele, "as atividades continuam normais".

"O mercado de óleo e gás sempre trabalhou com volatilidade. Não é a primeira vez que tem guerras, boicotes, momentos que criam uma tensão grande e refletem em 24h no preço da commodity, mas a tendência é que o mercado caminhe para um centro de preço ligado à oferta e demanda", disse o executivo.

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