🔴 3 ações para LUCRAR com a SELIC em alta: clique aqui e descubra quais são

2019-05-29T11:47:48-03:00
Estadão Conteúdo
Otimismo com cautela

Apesar de economia estagnada, venda de imóveis cresce 10% no 1º trimestre

Resultado é agridoce para as empresas, pois se por um lado comemoram o aumento nas vendas, por outro a expectativa era de um início de ano bem melhor

29 de maio de 2019
11:43 - atualizado às 11:47
Prédios em São Paulo
Prédios em São Paulo - Imagem: Shutterstock

"Apesar da paralisia da economia, do desemprego alto e da perspectiva de que o Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre tenha sido negativo, o mercado imobiliário aumentou lançamentos e conseguiu vender um número de imóveis residenciais quase 10% maior nos três primeiros meses do ano, em comparação com o mesmo período de 2018, segundo a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic).

Ainda que positivos, os resultados de lançamentos e vendas deixaram uma sensação agridoce no setor - se por um lado, as empresas comemoram o aumento nas vendas, a expectativa era de um início de ano bem melhor. Com a crise entre os Poderes, que impacta no calendário de reformas e reduz a segurança tanto do empresário quanto do consumidor, a impressão é a de que 2019 deve ser um ano de crescimento, mas em um ritmo ainda fraco.

De janeiro a março, foram lançadas 14,7 mil unidades residenciais, de acordo com a Cbic, alta de 4,2% em relação ao primeiro trimestre de 2018. Nesse período, foram vendidos 28,7 mil imóveis, ante 26,1 mil nos três primeiros meses do ano anterior, alta de 9,7%.

"É um resultado positivo que sem dúvida deve ser comemorado, mas, dada a queda que o setor teve durante a recessão, a fraqueza do mercado no ano passado e a esperança de que a eleição reduzisse as incertezas, a expectativa era de que as vendas tivessem crescido pelo menos 15% no período", afirma José Carlos Martins, presidente da entidade. "As construtoras esperavam que, passadas as incertezas de 2018, a agenda de reformas seria tocada com prioridade, a economia embalaria e o primeiro trimestre seria melhor."

Martins diz que a alta nas vendas, de 9,7% nesse período, se deve, sobretudo, a uma demanda por imóveis que está reprimida há cerca de cinco anos. Além da procura tradicional por novos imóveis que ocorre sempre, com o nascimento de filhos, a decisão de um jovem sair da casa dos pais ou de um casal que resolve se casar.

A secretária executiva Aline Martins e o analista de TI Daniel Reynaldo, ambos com 28 anos, são um exemplo disso. Em busca de um imóvel há cerca de um ano e meio, os dois resolveram aproveitar o feirão que uma construtora promoveu no início do ano para tentar financiar um apartamento.

"A crise acabou não afetando o setor em que Daniel trabalha e resolvemos aproveitar a abertura que as construtoras têm dado para negociação. Acabamos conseguindo um desconto de pouco mais de 6% no imóvel, que já está pronto. Também foi fácil conseguir o financiamento com o banco", diz Aline.

Sinal amarelo. Na última segunda-feira, o Boletim Focus, do Banco Central apontava que a previsão para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2019 havia sido rebaixada pela 13.ª vez seguida, indo para 1,23%. Em janeiro, analistas chegaram a projetar o PIB em 2,57%. A reversão de expectativas, com o baixo desempenho da indústria, do setor de serviços e do comércio, acenderam um sinal amarelo no setor imobiliário.

Depois do primeiro turno da eleição e quando o segundo já se consolidava, o mercado imobiliário começou a melhorar, diz Antonio Setin, presidente da incorporadora que leva seu sobrenome. "De novembro a fevereiro, foi excepcional para vendas, com redução do estoque e aumento dos lançamentos. A partir de março, o mercado deu uma patinada, reflexo imediato da falta de articulação em Brasília. O início do segundo trimestre está mais frio."

Ainda assim, ele estima que a empresa lance mais empreendimentos este ano do que em 2018, somando R$ 700 milhões em Valor Geral de Vendas (VGV). Esse número mostra por quanto a incorporadora projeta vender todos os imóveis de um novo empreendimento.

"Nós - e boa parte do mercado - estamos otimistas, mas é um otimismo com cautela. Não dá para sair lançando empreendimentos, como se o mundo estivesse cor-de-rosa, porque não está. A esperança que eu tinha de que 2018 seria melhor e que já tinha adiado para 2019, agora joguei para 2020", diz Setin.

"É muito raro uma pessoa comprar um imóvel sem tomar crédito. Para pedir um financiamento, o comprador precisa ter confiança de que o futuro será bom", diz Vinícius Mastrorosa, diretor da Even. Apesar de um primeiro trimestre abaixo do esperado, a empresa também deve lançar mais este ano.

Ele diz que, com o avanço da agenda de reformas, como a da Previdência e tributária, a economia deve dar sinais mais claros de recuperação, que tendem a se refletir no setor.

São Paulo. Mais dinâmico, o mercado paulistano teve resultados melhores do que o restante do País no primeiro trimestre. Dados do Secovi-SP, que reúne empresas do setor, mostram que foram vendidas 6,79 mil unidades de janeiro a março - alta de 17% ante o mesmo período de 2018. Os lançamentos, por sua vez, cresceram 21%.

"O mercado de São Paulo conheceu o fundo do poço em 2016 e agora tem números positivos para mostrar. De janeiro a abril, já empregamos mais gente do que em todo o ano de 2018. Se as reformas caminharem, a melhora do mercado será sentida mais rapidamente", diz Celso Petrucci, economista-chefe do Secovi-SP.

"De janeiro a abril, dobramos o número de imóveis vendidos em relação a 2018. A expectativa era triplicarmos, mas foi um resultado expressivo", diz Marcos Bigucci, da construtora MBigucci, que atua em São Paulo e no ABC Paulista. "O começo do ano não foi como o esperado, mas estamos no caminho."

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Comentários
Leia também
A REVOLUÇÃO 3.0 DOS INVESTIMENTOS

App da Pi

Aplique de forma simples, transparente e segura

Fraqueza nos números

Entrega de veículos da Tesla (TSLA34) recua no segundo trimestre e vem abaixo da expectativa do mercado

Apesar do crescimento das vendas na comparação anual, houve uma queda em relação ao trimestre anterior

Mais uma vítima

Após tomar calote do 3AC, exchange Voyager Digital suspende saques, depósitos e negociações de clientes

Corretora de criptomoedas tomou calote de mais de US$ 670 milhões, mas, apesar de ter tomado empréstimos, precisou paralisar atividades

Bancões na área

Vão sobrar uns cinco ou dez bancos digitais, e o Next está entre eles, diz CEO do banco digital do Bradesco

Renato Ejnisman diz ainda que Next visa a mais aquisições e pensa ainda em internacionalização

No vermelho

Magazine Luiza (MGLU3) é a ação com o pior desempenho do Ibovespa no primeiro semestre de 2022; outras varejistas e techs também sofreram no período

Com queda acumulada de quase 70% no ano, ações do Magalu são as piores do Ibovespa no semestre que acaba de terminar

Proteção

Qual título público comprar no Tesouro Direto? Santander recomenda papel indexado à inflação para o mês de julho; veja qual

Recomendação do banco para o Tesouro Direto visa proteção contra a inflação e possibilidade de valorização

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies