Menu
2019-09-05T12:45:52-03:00
Eduardo Campos
Eduardo Campos
Jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo e Master In Business Economics (Ceabe) pela FGV. Cobre mercado financeiro desde 2003, com passagens pelo InvestNews/Gazeta Mercantil e Valor Econômico cobrindo mercados de juros, câmbio e bolsa de valores. Há 6 anos em Brasília, cobre Banco Central e Ministério da Fazenda.
Juros

BC não deixará de cortar a Selic por causa do dólar

Segundo Roberto Campos Neto há espaço para queda adicional do juro e intervenção no dólar é para dar estabilidade ao câmbio

5 de setembro de 2019
12:45
Roberto Campos neto
Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central - Imagem: Raphael Ribeiro/BCB

O presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, fez um breve discurso em evento nesta quinta-feira e a mensagem que se extrai é a seguinte: a alta do dólar não será impeditivo para cortes na Selic.

Ao reafirmar a mensagem de política monetária de que “deixamos espaço para uma queda adicional” do juro básico, Campos Neto também fez uma afirmação do princípio da separação dos instrumentos à disposição do BC.

A taxa de juros é utilizada para controlar a inflação. As medidas macroprudenciais asseguram a estabilidade financeira. E as intervenções cambiais funcionam como mecanismo de estabilidade no mercado de câmbio.

Essa ênfase na função de cada instrumento é novidade na apresentação do presidente, que desde a última reunião do Copom, em 31 de agosto, já fez ao menos oito palestras para diferentes públicos.

 

O que limita a atuação do BC é o comportamento da inflação e das expectativas e o que Campos Neto tem enfatizado é que essas duas variáveis seguem ancoradas nas metas, apesar do aumento da instabilidade no cenário externo e maior volatilidade no dólar.

Ao falar que as atuações do câmbio visam a estabilidade do sistema, o presidente tenta afastar a leitura recorrente de que o BC atuar para segurar o câmbio ou que o dólar tenha piso ou tenha teto.

Sem relação mecânica e direta

Guardadas as proporções, essa reafirmação de cada instrumento e seu propósito lembra eventos no qual o mercado passou a acreditar que o BC subiria o juro para “segurar” a taxa de câmbio. E não faz tanto tempo assim, entre o fim de maio e junho do ano passado, o então presidente e Ilan Goldfajn e diretores tiveram de reafirmar que não existia relação mecânica e direta entre o aumento de incerteza e a política monetária.

No momento, víamos um choque adverso para emergentes, liderado pela Turquia e Argentina, e estourava a greve dos caminhoneiros. Momento semelhante também foi vivido depois do “Joesley Day” em maio de 2017.

O BC não reage à cotação do câmbio, mas sim quando essa valorização do dólar passa a se espraiar pelos demais preços da economia. São os chamados efeitos de segunda ordem, regra que também vale para demais choques de preço.

Por ora, o dólar acima de R$ 4 não contaminou inflação corrente e expectativas, por isso Campos Neto reafirma a mensagem de política monetária.

A dúvida é como esse dólar mais caro pode atuar como um limitador do tamanho ciclo, que o mercado estima terminará com juro entre 4,5% a 5% ao ano.

Teremos uma ideia no dia 18, quando o Copom apresenta sua decisão e atualiza suas projeções utilizando esse dólar “mais caro”. Com Selic a 5,5% e dólar de R$ 3,75 neste ano e R$ 3,90 em 2020, a inflação ficaria em 3,6% em 2019 e 3,9% em 2020. Abaixo das metas de 4,25% e 4%, respectivamente.

A íntegra do discurso está aqui e a apresentação aqui.

Comentários
Leia também
ENCRUZILHADA FINANCEIRA

Confissões de um investidor angustiado

Não vou mais me contentar com os ganhos ridículos que estou conseguindo hoje nas minhas aplicações. Bem que eu queria ter alguém extremamente qualificado – e sem conflito de interesses – para me ajudar a investir. Só que eu não tenho o patrimônio do Jorge Paulo Lemann. E agora?

fechamento dos mercados

Ibovespa fecha em leve alta com avanço da Petrobras, apesar de queda da Vale

Juros futuros se descomprimem com menor percepção de risco fiscal, enquanto dólar sobe com hedge de investidores após compra de bolsa

estagnação

Ideia de que investimento público pode ser substituído é engano, diz ex-ministro da Fazenda

Bresser-Pereira disse que o Brasil vive há 40 anos uma situação de semiestagnação econômica por causa de uma redução do investimento público,

Crypto News

“O bitcoin está vencendo a revolução monetária da Covid-19”

Apesar de ter estudado a História de várias nações no ensino médio, não entendia nada de como as economias se comportavam com o passar do tempo.

em queda

Juros fecham em forte queda com notícia de que Bolsonaro desistiu de criar programa social em 2020

Alívio foi maior nas taxas futuras de longo prazo, que acompanham mais o risco fiscal. Agentes repercutem perspectivas de que governo deverá retomar o Bolsa Família em 2021. Produção industrial abaixo da esperada e perspectiva de privatizações ano que vem também embalam recuo

OTIMISMO

BofA projeta Ibovespa em 130 mil pontos em 2021 e diz que está sendo conservador

Banco acredita em pontuação maior, mas isso dependerá da situação fiscal estar ajustada, diz chefe de economia para Brasil

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies