Menu
Dados da Bolsa por TradingView
2019-06-05T10:50:33-03:00
Eduardo Campos
Eduardo Campos
Jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo e Master In Business Economics (Ceabe) pela FGV. Cobre mercado financeiro desde 2003, com passagens pelo InvestNews/Gazeta Mercantil e Valor Econômico cobrindo mercados de juros, câmbio e bolsa de valores. Há 6 anos em Brasília, cobre Banco Central e Ministério da Fazenda.
Análise

Guedes: Alguns países ficam anos, décadas insanos

Paulo Guedes esteve na Câmara dos Deputados, onde defendeu seu plano econômico que pode nos tirar da insanidade de fazer as mesmas coisas e esperar resultados diferentes

5 de junho de 2019
5:17 - atualizado às 10:50
Ilustração do Albert Einstein
Imagem: Shutterstock

Acompanhei as mais de seis horas em que o ministro da Economia, Paulo Guedes, ficou na Câmara dos Deputados e uma intervenção chamou muito a atenção. Ao falar da situação da Argentina, o ministro lembrou a definição de insanidade atribuída a Albert Einstein: fazer sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes.

Segundo Guedes, alguns países continuam repetindo a insanidade de fazer a mesmo coisa em termos econômicos, o tempo todo, esperando resultados diferentes. “Alguns países ficam anos, décadas insanos. A Argentina foi picada por um vírus que não vou dizer qual é.”

A menção à insanidade econômica pareceu-me, também, uma boa definição para designar a postura de boa parte dos parlamentares que fizeram questionamentos ao ministro, notadamente os da oposição ou os que se dizem neutros ou progressistas.

A insanidade se resume em pedir mais Estado, quando a raiz do problema é, justamente, o tamanho do Estado.

Essa insanidade transpareceu nas insistentes perguntas e cobranças por planos de curto prazo para estimular a economia, na defesa de pautas e demandas de determinados grupos e na constatação, feita por um dos poucos deputados lúcidos, do partido Novo, de que 70% das emendas feitas à reforma da Previdência pretendem ampliar benefícios ou suavizar as regras propostas.

A receita de parte dos deputados, para o país voltar a crescer, gerar emprego e renda, é justamente dar mais recursos para o Estado. Mas se o Estado não tem recursos, que tirem dos rentistas, dos bancos, dos ricos, dos especuladores.

A preocupação com os pobres esconde um certo sadismo. Parece não passar pela cabeça desse grupo de parlamentares de que poderemos ter menos pobres via modernização da economia ou que o aposentado poderá se beneficiar da mágica do juro composto. Dentro dessa cegueira da insanidade econômica, a única coisa que avança é o retrocesso.

Sem discordar das injustiças do regime tributário atual, mas essa demagogia barata seduz muita gente desde sempre, estimulando a busca por inimigos imaginários para colocar a culpa de nossa auto infligida miséria econômica. A campanha “O petróleo é nosso”, que ecoa desde os anos 1950 mostra a força dessa faceta da insanidade.

Recobrando a sanidade

Paulo Guedes
Ministro da Economia, Paulo Guedes. - Imagem: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados

De outro lado, o ministro passou horas desenhando um plano que busca fazer diferente ou escapar da insanidade, pela primeira vez desde a Constituição de 1988.

Vamos reduzir o tamanho do Estado, que ficou grande demais ao lançar tentáculos sobre todas as atividades. Vamos reduzir o Estado onde ele não é necessário para ter Estado onde ele se faz necessário, como saúde, educação e segurança.

De acordo com o ministro, se o mercado produz desigualdades e diferenças de oportunidade, o Estado existe para aparar essas arestas e tentar corrigir eventuais diferenças que persistam. "O que não se pode conceber é que tenhamos uma máquina pública que promove transferências de renda perversas", disse.

Exemplo: empréstimos do BNDES e Caixa para empresas de amigos ou de setores escolhidos; aposentadorias públicas acima do teto do funcionalismo, que aliás é desrespeitado com anuência do Judiciário; que eu me aposente mais cedo que um trabalhador braçal, que já se aposenta por “idade mínima”.

Segundo Guedes, não há mais dúvidas de que o setor público inchou demais, com despesas indesejáveis, cheio de ativos inúteis enquanto falta recursos para setores que importam. Além disso, é o ajuste fiscal que permite o gasto social, como disse outro esclarecido parlamentar.

“A essência da democracia é a limitação e a descentralização de poder”, resumiu o ministro.

O plano ou a tentativa de sair da insanidade já avança, mas passaremos por uma dolorosa fase de abstinência de Estado. Esse redimensionamento do Estado não pode falhar, pois uma recidiva da insanidade no estágio atual da nossa moléstia econômica será fatal.

Comentários
Leia também
OS MELHORES INVESTIMENTOS NA PRATELEIRA

Garimpei a Pi toda e encontrei ouro

Escolhi dois produtos de renda fixa para aplicar em curto prazo e dois para investimentos mais duradouros. Você vai ver na prática – e com a translucidez da matemática – como seu dinheiro pode render mais do que nas aplicações similares dos bancos tradicionais.

INCERTEZAS NO RADAR

CEO da Moderna levanta dúvidas sobre eficácia de vacinas contra a ômicron e provoca reação negativa nos mercados

Stéphane Bancel disse que cientistas consultados por ele esperam ‘queda significativa’ na eficácia dos imunizantes contra a nova cepa

INSIGHTS ASSIMÉTRICOS

Os investidores agora viraram virologistas: os impactos da Ômicron sobre os mercados

Ainda não sabemos o bastante para decidir se esta é uma oportunidade de compra, mas parecemos estar mais preparados como sociedade para enfrentar o problema

VAREJO DECEPCIONADO?

Black Friday supera prévias, mas vendas do fim de semana ainda ainda perdem para os números registrados em 2019

Segundo índice calculado pela Cielo, as vendas cresceram 6,9% em relação ao ano passado, mas foram 3,8% inferiores ao período pré-pandemia

Adeus ano velho

Ano novo, impostos novos! Reforma do IR fica para 2022, confirma presidente do Senado

O governo Bolsonaro pressionava pela aprovação da proposta para financiar o Auxílio Brasil, mas não conseguiu apoio na Casa

SEU DINHEIRO NA SUA NOITE

Bitcoin e bolsa se recuperam após susto com nova variante, Azul e Latam sobem o tom e outros destaques do dia

Pouco se sabe ainda sobre a nova variante do coronavírus detectada na África do Sul, mas o que veio à público até agora é muito melhor do que o mercado financeiro precificou na última sexta-feira (26). Sem o pânico visto na semana passada, o Ibovespa encontrou forças para abrir a semana em alta.  Um estudo […]

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies