Menu
2019-05-03T11:28:57-03:00
Eduardo Campos
Eduardo Campos
Jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo e Master In Business Economics (Ceabe) pela FGV. Cobre mercado financeiro desde 2003, com passagens pelo InvestNews/Gazeta Mercantil e Valor Econômico cobrindo mercados de juros, câmbio e bolsa de valores. Há 6 anos em Brasília, cobre Banco Central e Ministério da Fazenda.
Pibinho

Frustração com crescimento já está no preço da bolsa, foco segue nas reformas

Produção industrial decepciona e PIB do 1º trimestre deve ser negativo. Mercado vai pedir, mas Banco Central não deve cortar juros tão cedo

3 de maio de 2019
11:28
Bandeira do Brasil com moedas na frente
Imagem: Positiffy/Shutterstock

A decepção com uma firme retomada do crescimento agora em 2019 não é algo novo, mas não deixa de causar surpresa a cada indicador divulgado. O desta sexta-feira foi a produção industrial, com queda de 1,3% em março, contra expectativas de retração de 0,6% a 0,8%. Mas como isso afeta os nossos investimentos?

Para ajudar nessa avaliação, conversei com o CIO da SRM Asset, Vicente Matheus Zuffo, que acredita que parte dessa frustração já mostrou certo impacto no Ibovespa, que depois de testar a linha dos 100 mil pontos em março, continua patinando na linha dos 95 mil a 96 mil pontos, um desconto de 5% da máxima.

Zuffo avalia que os empresários da indústria e do varejo já sabiam dessa fraqueza lá em março e também relatam que abril não estava indo bem. Daqui para frente, diz o especialista, o componente expectativas segue ditando o ritmo do mercado e as reformas são o ponto principal.

No mercado de juros, Zuffo chama atenção para a queda dos contratos futuros, mas avalia que o Banco Central não deve ceder a novas pressões do mercado por Selic abaixo dos atuais 6,5% ao ano.

Dois motivos embasam sua avaliação. Primeiro, o Federal Reserve (Fed), banco central americano, deixou claro que não pretende cortar juros apesar da pressão do mercado por lá, pois avalia que a inflação baixa é um fenômeno temporário.

Aqui, o quadro está no sentido inverso, com o nosso BC vendo choques de alta preços acontecerem, mesmo que temporários. Temos, no curto prazo, bandeira amarela para preço de energia e uma contratada inflação do complexo de carnes no IPCA em função gripe suína na Ásia.

Mesmo sendo um choque temporário, Zuffo avalia que o BC acaba ficando sem margem para cortar. Assim, o Comitê de Política Monetária (Copom) deve esperar alguns meses para avaliar não só o comportamento da atividade, mas se a inflação terá, de fato, a esperada trajetória de baixa.

PIB negativo?

Segundo Zuffo, o dado de produção industrial foi muito ruim e a decomposição do indicador, entre bens de consumo, de capital e duráveis também é desanimadora. Anualizando a baixa trimestral de 0,7%, temos uma expressiva queda de 2,7%.

Tal resultado vai promover uma nova rodada de revisões para baixo no Produto Interno Bruto (PIB) do ano, de uma faixa de 1,5% a 2%, para 1% e 1,5%. O Focus está com mediana de 1,7%.

Para Zuffo, uma variação negativa do PIB no primeiro trimestre não está contratada, mas é um evento bem possível. O resultado do período vai depender de componentes mais difíceis de serem estimados como estoques e setor externo (importações e exportações).

Comentários
Leia também
A REVOLUÇÃO 3.0 DOS INVESTIMENTOS

Que pi… é essa?

Eu decidi sair do banco, mas não queria entrar em uma enrascada. Bem, acredito que eu tenha encontrado um portal para fugir dessa Caverna do Dragão das finanças. E cá estou para explicar essa descoberta.

BANCÕES EM ALTA

Lucro do Banco do Brasil sobe 44,7% no 1º trimestre e atinge R$ 4,9 bilhões

O Banco do Brasil (BB) registrou lucro líquido ajustado de R$ 4,9 bilhões no primeiro trimestre deste ano, 44,7% maior que os R$ 3,4 bilhões reportados em igual período de 2020 e 32,9% superior ao resultado obtido nos últimos três meses do ano passado. “O lucro recorde para um trimestre é resultado de uma estratégia […]

Vol é vida?

Lucro líquido da B3 cresce 22,5% e atinge R$ 1,25 bi no 1º trimestre

O lucro líquido recorrente atingiu R$ 1,4 bilhão, alta de 15,5% frente ao mesmo período do ano passado e de 15,2% na comparação com o trimestre anterior

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O Carnaval fora de época da Ambev e mais…

O varejo tem várias datas importantes: dia das mães, dia dos pais, dia das crianças, dia dos namorados, Black Friday, Natal… Há uma data comemorativa em quase todos os meses, e todas são aguardadas com ansiedade pelo setor — afinal, qualquer impulso nas vendas é bem vindo. Pois para a Ambev, a coisa funciona um […]

FECHAMENTO DO DIA

Balanços e commodities metálicas ditam o ritmo e Ibovespa fecha em alta; dólar volta à casa dos R$ 5,20

Com a agenda de indicadores fracas e um Copom sem grandes surpresas, os investidores se debruçaram nos números do trimestre e no novo recorde do minério de ferro.

Queda no apetite

Fed sinaliza risco de tombo nos preços de ativos em relatório de estabilidade

O banco central dos EUA demonstrou preocupação com um possível declínio no apetito ao risco dos investidores norte-americanos

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies