2019-12-26T18:34:51-03:00
Victor Aguiar
Victor Aguiar
Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais pelo Instituto Educacional BM&FBovespa. Trabalhou nas principais redações de economia do país, como Bloomberg, Agência Estado/Broadcast e Valor Econômico. Em 2020, foi eleito pela Jornalistas & Cia como um dos 10 profissionais de imprensa mais admirados no segmento de economia, negócios e finanças.
Subindo sem parar

Mais uma sessão, mais um recorde: Ibovespa sobe e chega pela primeira vez aos 117 mil pontos

O Ibovespa subiu mais de 1% nesta quinta-feira e, com isso, renovou novamente as máximas de fechamento — nos EUA, os índices acionários também atingiram novos recordes. O dólar à vista caiu ao nível de R$ 4,06

26 de dezembro de 2019
18:30 - atualizado às 18:34
Imagem: Montagem Andrei Morais / Shutterstock

Sabe aquele filme "Feitiço do tempo", em que o Bill Murray fica preso para sempre nas mesmas 24 horas? Pois o Ibovespa está vivendo sua própria versão do dia da marmota: pregão após pregão, o índice repete a rotina e crava um novo recorde.

Ok, as sessões não são completamente idênticas: em alguns momentos, o exterior dá as cartas e impulsiona o Ibovespa; em outros, é o cenário doméstico que dá forças ao mercado de ações brasileiro. Mas o sentido é quase sempre o mesmo, com a bolsa subindo quase sem parar.

Nesta quinta-feira (26), o principal índice acionário do país fechou em alta de 1,16%, aos 117.203,20 pontos, superando em muito a máxima anterior, de 115.863,29 pontos — que, veja só, foi anotada no pregão anterior.

Com o desempenho de hoje, o Ibovespa renovou os recordes de encerramento pela décima vez apenas em dezembro — desde o início do mês, o índice já acumula ganhos de 8,29%.

E não é apenas no Brasil que o mercado acionário está enfeitiçado. Nos Estados Unidos, o Dow Jones (+0,37%), o S&P 500 (+0,52%) e o Nasdaq (+0,78%) também atingiram novas máximas nesta quinta-feira — esse último, inclusive, rompeu pela primeira vez o nível de 9.000 pontos.

Otimismo global

Todo esse bom humor na reta final do ano tem como pano de fundo o alívio no front da guerra comercial. Como é sabido, EUA e China fecharam a primeira fase de um acordo mais amplo, mas ainda não há uma previsão oficial para a assinatura dos termos.

Só que as sinalizações recentes de ambas as partes dão a entender que a conclusão dos trâmites será rápida. O presidente americano, Donald Trump, disse que o acerto já está pronto, e que ele e o presidente chinês, Xi Jinping, farão uma cerimônia oficial para a assinatura do acordo — evento projetado para a primeira metade de janeiro.

Nesse cenário, os agentes financeiros continuaram mostrando-se bastante confortáveis para assumir riscos — o que deu forças tanto ao Ibovespa quanto às bolsas americanas.

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Sinais positivos

Aqui no Brasil, os dados da confiança do comércio divulgados hoje pela Fundação Getulio Vargas (FGV) confirmam a expectativa de recuperação da economia, ainda que a percepção de cautela continue. Em dezembro, indicador subiu 0,3 ponto, para 98,1 pontos.

"Apesar da melhora da percepção dos empresários sobre o ritmo de vendas no momento presente, empresários se mostram cautelosos com a sustentabilidade da recuperação do setor nos próximos meses", informou em nota a FGV.

Também foi comemorada a informação de que as vendas nos shoppings centers do país chegaram a R$ 168,2 bilhões em 2019, um avanço de 7,5% na base anual, de acordo com a Associação Brasileira de Lojistas de Shoppings (Alshop) — resultado acima do esperado pela entidade, que projetava um crescimento de 5%.

Alívio no dólar e nos juros

O pano de fundo mais otimista em relação à guerra comercial resulta numa mudança de postura no mercado de câmbio: com a perspectiva de menores atritos entre Washington e Pequim, os investidores saem da segurança do dólar e se expõem a ativos mais arriscados, como as moedas de países emergentes.

Considerando essa lógica, divisas como o peso mexicano, o peso colombiano, o rand sul-africano e o peso chileno se valorizaram ante a moeda americana, fazendo companhia ao real: por aqui, o dólar à vista caiu 0,49%, a R$ 4,0615.

A baixa do dólar à vista nesta quinta-feira acabou influenciando o mercado de juros futuros: as curvas terminaram em queda, tanto na ponta curta quanto na longa. Veja abaixo como ficaram os principais DIs:

  • Janeiro/2021: de 4,62% para 4,58%;
  • Janeiro/2023: de 5,92% para 5,86%;
  • Janeiro/2025: de 6,57% para 6,51%;
  • Janeiro/2027: de 6,90% para 6,85%.

Commodities em alta

No exterior, o dia também foi de ganhos no mercado de commodities: o petróleo Brent subiu 0,91% e o WTI avançou 0,93% — o que, consequentemente, deu forças aos papéis da Petrobras: as ações ON (PETR3) tiveram ganho de 0,90% e as PNs (PETR4) valorizaram 1,34%.

A perspectiva de aquecimento da economia chinesa a partir do acerto comercial com os EUA ainda ajudou os papéis de empresas exportadoras de commodities, como siderúrgicas, mineradoras e papeleiras.

É o caso de Vale ON (VALE3), em alta de 0,38%, e Gerdau PN (GGBR4), com valorização de 2,21%. No setor de papel e celulose, Suzano ON (SUZB3) avançou 1,70%.

Veja abaixo os cinco papéis de melhor desempenho do Ibovespa:

  • Qualicorp ON (QUAL3): +4,73%
  • Cogna ON (COGN3): +3,57%
  • Multiplan ON (MULT3): +3,42%
  • Braskem PNA (BRKM5): +3,15%
  • Weg ON (WEGE3): +3,14%

Confira também as maiores quedas do índice:

  • Eletrobras ON (ELET3): -1,56%
  • Natura ON (NTCO3): -1,03%
  • Azul PN (AZUL4): -0,92%
  • Yduqs ON (YDUQ3): -0,82%
  • BB Seguridade ON (BBSE3): -0,50%
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