Menu
2019-10-11T13:33:42-03:00
Eduardo Campos
Eduardo Campos
Jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo e Master In Business Economics (Ceabe) pela FGV. Cobre mercado financeiro desde 2003, com passagens pelo InvestNews/Gazeta Mercantil e Valor Econômico cobrindo mercados de juros, câmbio e bolsa de valores. Há 6 anos em Brasília, cobre Banco Central e Ministério da Fazenda.
fala bc

Presidente do Banco Central explica a alta do dólar 

Em evento, Roberto Campos Neto destaca que depreciação cambial aconteceu com queda de risco e de juros longos

11 de outubro de 2019
13:32 - atualizado às 13:33
20/08/2019 Cerimônia de Lançamento do IPCA para Crédito Imobi
Presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. - Imagem: Alan Santos/PR

A desvalorização do real não gerou inflação e não preocupou o Banco Central (BC). O que temos de diferente?

A pergunta foi feita pelo gestor do fundo Alaska, Henrique Bredda, ao presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, saindo um pouco do tema do painel de discussão sobre democratização do sistema financeiro no Fórum de Investimentos Brasil, organizado pela Apex.

Depois de reafirmar que o câmbio é flutuante e que o BC atua para suprir falta de liquidez no mercado, Campos Neto disse que o BC sempre entendeu, “desde o começo”, que teríamos uma fase na qual a curva longa de juros cairia bastante.

Campos Neto lembrou que o movimento de juros que tivemos no governo Michel Temer ficou muito concentrado nas curvas curtas, com o juro longo se sustentando acima de 11%.

Mais recentemente, explicou, estamos vendo essa queda do juro longo, que capta aumento da credibilidade, um governo que leva a situação fiscal a sério e um movimento mundial de redução de juros.

“Juro baixo com curva longa baixa gerou um fenômeno que não tinha no Brasil. As empresas passaram a olhar o custo e passou a valer a pena pré-pagar dívida externa e emitir no mercado local”, explicou.

Para fazer essa operação, a empresa compra dólares no mercado à vista, faz o pagamento da dívida que tinha no mercado externo e depois capta em reais. A Petrobras "fez um pedaço grande", disse Campos Neto, mas outras empresas e setores também.

Esse movimento, explicou Campos Neto, gerou demanda grande no mercado à vista. O que explica a desvalorização persistente do real. No entanto, movimentos de valorização do dólar sempre vieram acompanhados de piora no sentimento de risco, levando a um aumento na demanda por hedge (proteção) cambial.

Desta vez, lembra o presidente do BC, aconteceu o contrário. O câmbio depreciou com as medidas de risco, como os CDS, caindo, e com o juro de longo prazo também caindo.

Esse cenário levou o BC a fazer operações diferentes no mercado de câmbio. Sabendo que a demanda estava no mercado à vista e não no futuro (swap), passou a atuar onde estava a demanda, vendendo dólar à vista e reduzindo o estoque de swaps.

Antes de encerrar a explicação, Campos Neto ressaltou que não existe meta para a taxa de câmbio.

Motor privado

Ao longo de sua fala, Campos Neto também destacou o lema do BC: queremos nos reinventar com dinheiro privado.

“É uma metamorfose. Os surtos de crescimento que tivemos foram sempre com dinheiro público. Queremos crescer com dinheiro privado. Papel do BC é fomentar o mercado e gerar alocação mais eficiente de recursos”, disse.

Quando o tema era investimento em infraestrutura, Campos Neto pediu a palavra para falar que temos de entender que estamos saindo de um ciclo vicioso.

O crescimento da economia era impulsionado com dinheiro público (caro e pouco eficiente). Mais gasto, maior o custo da dívida e mais caro o juro longo. Diante disso, a avaliação era de que era impossível financiar infraestrutura no Brasil. Então tudo teria de ser feito sempre com dinheiro público.

Assim, explicou, tínhamos o juro subsidiado alimento o juro alto de forma generalizada. Agora, isso começou a ser desmontado com o trabalho da política fiscal.

“A nossa reinvenção é com dinheiro privado. Não dá para tirar todos subsídios e incentivos de uma vez, mas as coisas vão se equilibrando. É um processo que está em curso”, disse.

Comentários
Leia também
A REVOLUÇÃO 3.0 DOS INVESTIMENTOS

Que pi… é essa?

Eu decidi sair do banco, mas não queria entrar em uma enrascada. Bem, acredito que eu tenha encontrado um portal para fugir dessa Caverna do Dragão das finanças. E cá estou para explicar essa descoberta.

seu dinheiro na sua noite

E essa Black Friday em ano de crise, vai dar bom?

Estamos prestes a viver uma Black Friday num ano de forte crise, em que as pessoas ficaram confinadas em casa. Definitivamente não é o melhor dos cenários para uma data tão voltada para o consumo. Por outro lado, foi na internet que a Black Friday ganhou força no Brasil, e o e-commerce deu um enorme […]

alta de 32% no ano

Parte da desvalorização maior do real se deve à dívida, diz presidente do BC

Roberto Campos Neto lembrou que o encerramento do ano é, tradicionalmente, um período de mais remessas de recursos ao exterior

fim do dia

O rali continua: Ibovespa deixa Wall Street de lado e sobe quase 20% em novembro

Ações de CVC e siderúrgicas lideram alta do índice. Dólar cai com fluxo e divulgação do dado das contas externas e juros recuam de olho em fiscal

Em pleno calendário eleitoral

Senado aprova mudanças na Lei de Falências

O projeto amplia o financiamento a empresas em recuperação judicial, permite o parcelamento e o desconto para pagamento de dívidas tributárias e possibilita aos credores apresentar plano de recuperação da empresa

Olha o Gol

Boeing 737-8 Max é autorizado a retornar operações no Brasil pela Anac

A informação é vista com bons olhos pela Gol, que é a única credenciada a operar o modelo no Brasil.

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies