2018-10-16T19:24:49-03:00
Eduardo Campos
Eduardo Campos
Jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo e Master In Business Economics (Ceabe) pela FGV. Cobre mercado financeiro desde 2003, com passagens pelo InvestNews/Gazeta Mercantil e Valor Econômico cobrindo mercados de juros, câmbio e bolsa de valores. Há 6 anos em Brasília, cobre Banco Central e Ministério da Fazenda.
Mercados

Bovespa e dólar andam bem, mas na renda fixa ajuste está ainda mais forte

Melhora no apetite por risco derruba taxas de juros. Se você tem NTN-Bs longas na carteira vale dar uma olhada no extrato

16 de outubro de 2018
18:30 - atualizado às 19:24
Imagem: Shutterstock

Os mercados de bolsa e câmbio já fizeram um grande ajuste de preço com a redução das incertezas eleitorais. Mas o mercado de juros futuros e de Notas do Tesouro Nacional Série B (NTN-Bs) estava com um relativo atraso.

O cenário externo tinha estimulado uma postura um pouco mais cautelosa no fim da semana passada, mas com os índices americanos voltando a sinalizar firme apetite por risco, o mercado local entrou no que se chama de rotação.

Segundo o responsável pela mesa institucional de futuros da Genial Investimentos, Roberto Motta, os ativos de renda fixa, que não estavam performando, tiveram forte ajuste ontem e hoje. Assim, esses ativos buscaram um alinhamento com o movimento do dólar, que mais de uma vez já testou a linha de R$ 3,7, e do Ibovespa, que já chegou a flertar com os 88 mil pontos.

“Há muito tempo não via um ajuste tão forte em renda fixa perante outros ativos”, diz Motta.

Para dar uma ideia do que é performar na renda fixa, Motta chama atenção para as NTN-Bs de prazo mais longo, que chegaram a mostra um prêmio de 6%, há poucas semanas, e hoje estão abaixo dos 5%. Esse tipo de fechamento de taxa gera um ganho bastante expressivo no valor do papel em reais. Quanto menor a taxa, maior o valor nominal do papel.

“Quem tem papel do Tesouro atrelado ao IPCA de longo prazo e resolver abrir o extrato, por curiosidade, vai achar que está errado. O ganho de capital foi grande, digno de bolsa”, explica Motta.

Outro exemplo vem da curva de juros futuros (que conversa com o mercado de títulos do Tesouro). O contrato de DI para vencimento em janeiro de 2025, por exemplo, caiu de 10,8% para 10,15% em apenas três dias. Alongando um pouco mais o horizonte, esse contrato estava projetando juro de 12,5% no começo de setembro.

Daqui para frente

Para Motta é o cenário externo que vai continuar ditando as movimentações nos mercados de renda fixa, bolsa e câmbio. Mas ele lembra que a grande distorção de preço que existia já foi fechada.

Se o dólar seguir perdendo fôlego globalmente não tem motivo para esse atual piso de R$ 3,7 continuar sendo respeitado.

“A linha de R$ 3,7 não é dogma. É questão de o mercado global querer mais risco ou não.”

No front local, o especialista lembra que o mercado trabalha com uma probabilidade de 95% de Jair Bolsonaro ganhar a eleição em 28 de outubro. Então, até lá, prevalece o benefício da dúvida e não se espera nenhuma sinalização mais convicta do candidato com relação aos temas envolvendo reformas e privatizações. Até porque são assuntos que tiram votos.

“O mercado está dando esse benefício da dúvida. Agora, ganhou a eleição, o mercado vai cobrar que Bolsonaro volte rápido com esses temas e de forma agressiva”, explica Motta.

Para Fernando Haddad, a conta baixa é de que ele precisa ganhar 1,5 milhão de votos por dia para tomar a eleição de Bolsonaro. O candidato tem tentando ajustar o discurso e acenar para um eleitorado mais amplo, mas é muito difícil conquistar tal volume de votos.

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