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Fernando Pivetti
Fernando Pivetti
Jornalista formado pela Universidade de São Paulo (USP). Foi repórter setorista de Banco Central no Poder360, em Brasília, redator no site EXAME e colaborou com o blog de investimentos Arena do Pavini.
Eleições 2018

Fenômeno das eleições, redes sociais movimentam campanhas e deixam a dúvida: ainda dá tempo de virar o jogo?

Candidatos do terceiro pelotão nas pesquisas agora apostam em fortes mobilizações nas redes sociais. Se der certo, o mercado pode ter surpresas

6 de outubro de 2018
9:24 - atualizado às 16:41
Ciro Gomes
Ciro Gomes foi para as redes sociais para tentar emplacar sua candidatura na reta final da campanha - Imagem: Shutterstock

As pesquisas de intenções de voto são claras ao apontar que as chances de um segundo turno sem a participação de Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT) seguem baixas. Mas, na reta final da campanha, ainda há quem aposte em uma virada de candidatos do chamado terceiro pelotão, e ela viria do que foi considerado o elemento surpresa nas eleições: as redes sociais.

Com o fim das campanhas na TV e rádio, a internet se transformou no principal canal para os presidenciáveis apostarem suas últimas fichas antes da votação. Adversários de Bolsonaro e Haddad que sonham com vaga no segundo turno adotam estratégias diferentes para mostrar que ainda podem chegar lá.

Muito dessa expectativa se apoia em mudanças de última hora como a que ocorreu nas eleições em 2014. Naquele ano, as últimas pesquisas eleitorais apontavam para um segundo turno entre Dilma Rousseff (PT) e Marina Silva (então PSB). Mas foram nos dois dias finais de campanha que Aécio Neves (PSDB) virou o jogo, roubando a vaga de Marina e levando vantagem de mais de 10 pontos percentuais na votação.

E você, investidor, deve permanecer atento a essas mudanças. De momento, o mercado opera dentro da expectativa de segundo turno entre Bolsonaro e Haddad. Está tudo, como eles costumam dizer, "precificado". Mas uma reviravolta nos 48' do segundo tempo, com outro candidato na disputa, pode trazer fortes movimentações nos ativos, sobretudo na bolsa e no dólar. Isso porque as simulações de segundo turno mostram cenários diferentes, a depender de quais candidatos o disputem: Bolsonaro empata com Haddad, mas perde de Ciro e Alckmin (este na margem de erro).

Para entender esse processo, o jornal o Estado de S. Paulo entrevistou o cientista político Kleber Carrilho, da Universidade Metodista de São Paulo. Segundo ele, a movimentação dos candidatos pode sim mudar o cenário eleitoral.

"Foi uma campanha muito mais online do que pensávamos que seria. Então, por mais que as pesquisas falem em voto convicto, as redes podem mudar isso e criar movimentos bruscos no final."

A terceira via

O candidato do PDT, Ciro Gomes, é um dos que aposta na força de sua militância online para fazer sua candidatura viralizar. No dia do último debate da TV, quinta, emplacou a hashtag #TsunamiCiro, em referência a algo maior que as "ondas" de apoio a outros candidatos. Ontem à noite, a hashtag #ViraViraCiro atingiu a primeira posição entre os assuntos mais comentados no mundo no Twitter.

Geraldo Alckmin (PSDB) também é um candidato que opta pelo discurso de que Haddad e Bolsonaro representam candidaturas "radicais". "As grandes viradas acontecem no final", escreveu Alckmin, na noite de quinta-feira, 4.

"É possível que as redes causem certa instabilidade no que hoje temos como o cenário para o 2.º turno", disse Carrilho ao Estadão. "Há, por exemplo, a possibilidade de que eleitores do Haddad passem a ver Ciro como uma possibilidade de derrotar Bolsonaro. Ou que eleitores de outros candidatos migrem para Bolsonaro por uma vitória no primeiro turno", afirmou o cientista político.

*Com Estadão Conteúdo e jornal O Estado de S. Paulo.

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